Capítulo 3 – Escolhi toda a gente. Menos a mim.
Hoje escrevo sem pressa.
Talvez porque a vida me tenha ensinado que há coisas que só compreendemos quando paramos para as sentir.
Durante anos, escolhi muita gente.
Escolhi estar presente.
Escolhi cuidar.
Escolhi resolver.
Escolhi ser forte quando era preciso.
E, sem dar por isso, fui deixando uma pessoa para trás.
Eu.
Não aconteceu de um dia para o outro.
Aconteceu devagarinho.
Aconteceu cada vez que disse:
“Depois trato de mim.”
Aconteceu cada vez que adiei um sonho.
Cada vez que coloquei as necessidades dos outros à frente das minhas.
Cada vez que me convenci de que podia esperar mais um pouco.
E talvez seja por isso que tantas mulheres chegam a determinada altura da vida cansadas.
Não apenas cansadas do corpo.
Cansadas da alma.
Porque passaram anos a oferecer o melhor de si ao mundo inteiro, sem nunca se oferecerem a si próprias a mesma dedicação.
Até que um dia percebem uma verdade importante:
Escolhermo-nos não é egoísmo.
É responsabilidade.
Porque ninguém consegue viver uma vida inteira com o coração vazio enquanto tenta encher o coração de toda a gente à sua volta.
A verdadeira mudança começa no dia em que uma mulher deixa de perguntar:
“O que esperam de mim?”
E começa a perguntar:
“O que preciso eu?”
Foi essa pergunta que mudou muita coisa na minha vida.
Porque, às vezes, passamos tanto tempo a cuidar dos outros que nos esquecemos de ouvir a nossa própria voz.
Esquecemo-nos dos nossos sonhos.
Das nossas vontades.
Da mulher que fomos.
E da mulher que ainda queremos ser.
Há mulheres que passam anos sem se escolher.
Mas nunca é tarde para regressar a casa.
E, por vezes, essa casa somos nós.


