Capítulo 2-Quando uma mulher volta a gostar da mulher que se tornou
Neste capítulo 2, quero apenas honrar a mulher que me tornei!
Há uns tempos escrevi sobre a pergunta que mudou a minha vida:
“Então… e eu?”
Na altura, falei da mulher que se tinha perdido pelo caminho. Da mulher que passou anos a cuidar dos outros e que, um dia, percebeu que se tinha esquecido de si própria.
Hoje percebo que essa pergunta foi apenas o início de um reencontro muito maior.
Escrevo estas palavras sentada na esplanada de um café, à sombra, enquanto a festa da Santa Rita ainda dorme.
Daqui a algumas horas, as ruas vão encher-se de música, luzes e pessoas. Mas, por agora, existe apenas este momento.
O som distante de alguém a preparar mais um dia.
O calor que já se faz sentir.
O meu café.
E os meus pensamentos.
Talvez seja a tranquilidade desta manhã.
Ou talvez seja apenas a fase da vida em que me encontro.
Mas dou por mim a pensar na mulher que fui e na mulher que sou hoje.
Durante muito tempo olhei para trás com saudade.
Para a juventude.
Para o rosto sem marcas.
Para os sonhos que ainda não tinham sido postos à prova.
E sem me aperceber, fui comparando a mulher de hoje com a mulher de ontem.
Até perceber uma coisa importante.
A mulher que sou hoje não é menos do que fui.
É o resultado de tudo o que vivi.
Das escolhas certas e das erradas.
Das alegrias e das desilusões.
Dos amores.
Das despedidas.
Dos recomeços.
Durante anos valorizei a mulher que fui.
Mas esqueci-me de admirar a mulher que me tornei.
Aquela que aprendeu a levantar-se depois das quedas.
Aquela que descobriu que a paz vale mais do que muitas discussões.
Aquela que percebeu que não precisa de agradar a toda a gente.
Aquela que continua a sonhar, mesmo quando a vida já lhe mostrou que nem sempre os sonhos chegam pelo caminho mais fácil.
Hoje olho para mim de forma diferente.
Já não procuro a mulher de há vinte ou trinta anos.
Não porque ela não tenha sido importante.
Mas porque aprendi que cada fase da vida tem a sua beleza.
A juventude tem a sua luz.
Mas a maturidade tem a sua profundidade.
E há uma serenidade que só chega quando deixamos de lutar contra o tempo e começamos a caminhar com ele.
Não sou a mesma mulher que fui.
E ainda bem.
Porque hoje conheço melhor as minhas forças.
Respeito mais os meus limites.
Escolho melhor as minhas batalhas.
E valorizo mais aquilo que realmente importa.
Talvez a verdadeira arte de ser mulher esteja precisamente aqui.
Na capacidade de olhar ao espelho e sorrir para a mulher que nos devolve o olhar.
Não porque seja perfeita.
Mas porque é real.
Porque sobreviveu.
Porque aprendeu.
Porque cresceu.
E porque continua a florescer.
Hoje não quero voltar a ser quem fui.
Quero apenas honrar a mulher que me tornei.
E quando uma mulher volta a gostar da mulher que se tornou, algo extraordinário acontece.
Ela deixa de viver em comparação.
E começa finalmente a viver em paz.
Assim termina o capítulo 2. Fiquem atentas ao próximo…


