Nunca é tarde para realizar sonhos – Capítulo 7 da série A Arte de Ser Mulher por Esmeralda Ferreira | Dona Detalhe
A ARTE DE SER MULHER

Capítulo 7 – Nunca é tarde para realizar sonhos

Porque alguns sonhos apenas esperam pelo momento certo.

Há uma frase que muitas mulheres repetem em silêncio, quase sem se aperceberem do peso que ela carrega.

“Já é tarde para mim.”

Tarde para mudar de profissão.

Tarde para voltar a estudar.

Tarde para abrir um negócio.

Tarde para escrever um livro.

Tarde para aprender uma nova paixão.

Tarde para começar de novo.

Sem darmos por isso, deixamos que o tempo se transforme numa barreira invisível. Convencemo-nos de que existem idades certas para sonhar e outras para desistir.

Mas quem decidiu isso?

Em que momento alguém escreveu que os sonhos têm prazo de validade?

A verdade é que não têm.

Os sonhos não desaparecem porque o calendário avança. Não deixam de existir porque a vida nos levou por caminhos diferentes. Apenas ficam em silêncio, à espera que a mulher que somos hoje tenha coragem de lhes voltar a pegar.

Talvez seja por isso que alguns sonhos parecem nunca nos abandonar.

Esperam.

Pacientemente.

Até ao dia em que decidimos olhar novamente para eles.

E talvez esse dia seja hoje.


Porque deixamos os sonhos para depois?

Ninguém desiste de um sonho de um dia para o outro.

É um processo lento.

Primeiro adiamos.

Depois justificamos.

Mais tarde convencemo-nos de que já não faz sentido.

A vida acontece.

Chegam responsabilidades.

Filhos.

Trabalho.

Família.

Contas para pagar.

Problemas para resolver.

E, sem darmos por isso, passamos a viver para tudo… menos para nós.

Os dias sucedem-se.

Os meses passam.

Os anos acumulam-se.

E aquele sonho que um dia ocupava um lugar especial no nosso coração fica guardado numa gaveta da memória.

Não porque deixámos de o amar.

Mas porque acreditámos que havia sempre algo mais urgente.

Quando a vida nos faz esquecer de nós

Há mulheres que passam anos a cuidar de todos.

São mães.

Filhas.

Esposas.

Amigas.

Profissionais.

Estão sempre disponíveis para quem precisa.

Mas raramente encontram tempo para perguntar:

“E eu?”

Essa pergunta pode demorar anos a surgir.

Mas quando aparece, costuma vir acompanhada de outra:

“Será que ainda vou a tempo?”

E é precisamente aí que muitas desistem.

Não porque lhes falte capacidade.

Mas porque lhes sobra medo.

Medo de começar tarde.

Medo de falhar.

Medo da opinião dos outros.

Medo de não serem suficientemente boas.

No entanto, há uma verdade que nunca muda.

O medo diminui sempre depois do primeiro passo.


Nunca é tarde para realizar sonhos

Vivemos numa sociedade que celebra quem começa cedo.

Aplaudimos quem tem sucesso aos vinte ou aos trinta anos.

Mas esquecemo-nos de olhar para todas as mulheres que florescem mais tarde.

E são muitas.

Mulheres que encontraram a sua vocação aos quarenta.

Que abriram um negócio aos cinquenta.

Que escreveram o primeiro livro depois dos sessenta.

Que decidiram cuidar de si quando já ninguém esperava.

Elas não chegaram atrasadas.

Chegaram no momento certo.

Porque cada história tem o seu próprio ritmo.

Compararmo-nos com os outros é esquecer que ninguém vive exatamente a mesma vida.

Há quem encontre cedo o seu caminho.

Outras precisam de percorrer estradas mais longas.

Precisam de cair.

De aprender.

De reconstruir-se.

De amadurecer.

E só depois descobrem aquilo que verdadeiramente faz sentido.

Isso não é atraso.

É crescimento.

Os sonhos também amadurecem

Há sonhos que só fazem sentido depois de tudo aquilo que vivemos.

Talvez, se tivessem acontecido mais cedo, não estivéssemos preparadas para eles.

Hoje olhamos para a vida de forma diferente.

Com mais serenidade.

Com mais experiência.

Com menos necessidade de provar alguma coisa aos outros.

E é precisamente essa maturidade que transforma um simples sonho num verdadeiro propósito.

Porque os sonhos também crescem connosco.

Às vezes esperam anos.

Não porque se esqueceram de nós.

Mas porque estavam à espera da mulher que nos iríamos tornar.


O primeiro passo muda tudo

Há quem espere pelo momento perfeito.

Pela oportunidade ideal.

Pelo dia em que vai sentir menos medo.

Mas a verdade é que esse dia raramente chega.

O medo não desaparece antes de começarmos.

Ele vai diminuindo à medida que caminhamos.

É por isso que os grandes recomeços quase nunca começam com grandes gestos.

Começam com pequenas decisões.

Uma inscrição feita sem grande certeza.

Uma ideia escrita num caderno.

Um curso iniciado.

Um currículo enviado.

Uma página em branco.

Um “vou tentar”.

Parece pouco.

Mas é precisamente assim que os sonhos voltam a respirar.

Não porque tudo esteja resolvido.

Mas porque finalmente deixámos de esperar.


Um pequeno passo continua a ser um passo

Vivemos numa época em que tudo parece acontecer depressa.

As redes sociais mostram resultados.

Mas escondem quase sempre o caminho.

Vemos o livro publicado.

Mas não vemos as centenas de páginas rasgadas.

Vemos a empresa de sucesso.

Mas não vemos os anos de dúvidas.

Vemos a mulher confiante.

Mas não vemos as noites em que também ela acreditou que não era capaz.

É por isso que nunca devemos comparar o nosso capítulo um com o capítulo vinte de outra pessoa.

Cada caminhada tem o seu tempo.

E cada pequeno passo merece ser celebrado.

Porque nenhum sonho nasce completo.

Constrói-se.

Um dia de cada vez.


O meu sonho também esperou

Durante muitos anos escrevi apenas para mim.

Escrevia num caderno.

Sem pensar que alguém iria ler aquelas palavras.

Era ali que deixava aquilo que nem sempre conseguia dizer em voz alta.

Havia páginas escritas entre lágrimas.

Outras nasceram em dias felizes.

Algumas guardavam medos.

Outras estavam cheias de esperança.

Hoje percebo que aquele caderno nunca serviu apenas para escrever.

Serviu para me encontrar.

Cada palavra ajudava-me a organizar o coração.

Cada página era um abraço que dava a mim própria.

Naquela altura não imaginava que, anos mais tarde, voltaria a escrever.

Muito menos que as minhas palavras pudessem chegar a outras mulheres.

Mas a vida tem uma forma curiosa de nos surpreender.

Às vezes, aquilo que pensamos ter deixado para trás…

…estava apenas à nossa espera.

Hoje continuo a escrever.

Já não apenas para aliviar o coração.

Escrevo porque acredito que uma única frase pode fazer uma mulher sentir-se compreendida.

Pode dar-lhe coragem.

Pode lembrá-la de que não está sozinha.

E, se isso acontecer nem que seja com uma única pessoa…

Então já valeu a pena.


Talvez o teu sonho ainda esteja à tua espera

Talvez haja um sonho que visitas de vez em quando.

Aquele que aparece quando estás em silêncio.

Quando conduzes.

Quando bebes um café.

Quando olhas para o pôr do sol.

Aquele pensamento que insiste em perguntar:

“E se eu tentasse?”

Não o ignores.

Os sonhos verdadeiros têm uma forma curiosa de permanecer connosco.

Não desaparecem.

Esperam.

Esperam que a vida nos ensine.

Esperam que ganhemos coragem.

Esperam que deixemos de pedir autorização ao medo.

Talvez o teu sonho não esteja perdido.

Talvez esteja apenas à tua espera.

À espera da mulher que és hoje.

Não daquela que eras há dez anos.

Mas desta.

Mais forte.

Mais consciente.

Mais verdadeira.

Porque, muitas vezes, só depois de vivermos tudo aquilo que a vida nos trouxe é que estamos realmente preparadas para viver o sonho que sempre foi nosso.


Reflexão final

Hoje quero deixar-te apenas uma pergunta.

Se o medo não existisse…

O que farias?

Talvez a resposta esteja aí.

À tua espera há mais tempo do que imaginas.

Não deixes que a idade decida por ti.

Não deixes que os outros escrevam o teu destino.

E, acima de tudo…

Não deixes que um sonho morra apenas porque acreditaste que chegaste tarde.

Porque há uma verdade que a vida me ensinou e que hoje quero partilhar contigo.

Nunca é tarde para realizar sonhos.

É apenas uma questão de decidir dar o primeiro passo.


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Às vezes, uma única leitura pode ser o primeiro passo para um novo começo.


Com carinho,

Esmeralda Ferreira

Autora da série A Arte de Ser Mulher
Fundadora da Dona Detalhe 🤍

Para aprofundares este tema, podes também ler:

. Desenvolvimento Pessoal (Wikipedia)

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